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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Padre Pedro Carlos deixa Açailandia mais fica em nossos coraçoes pelo trabalho que o mesmo fez nesta Cidade


Padre Piercarlo Mazza, o “Padre Pedro”, como o povo o chamava, ou “Padre Pedro Carlos”, como preferiria ser chamado, deixou Açailândia nesta noite de domingo, 28/08. Antecipou sua volta à Itália, muitos anos de Brasil, deles pouco mais de quatro anos por aqui, servindo na Paróquia São João Batista. 

Queria retornar à terra natal somente após a “I Romaria da Terra e das Águas”, que acontece nos próximos dias 10 e 11, no Pequiá, mas a saúde debilitada de sua mãe exigiu sua presença de imediato. 

Padre Pedro Carlos, como bem se referiu o pároco Padre Dario Bossi, na missa despedida na noite da quinta-feira, 25/08, na Igreja São João Batista, fazia a diferença na paróquia, um padre bem chegado ao povo, em meio a uma igreja militante e ativa no meio político, ambiental, social. 

Na área dos Direitos da Criança e do Adolescente, além de uma participação com uma postura de “cobrança” em diversos espaços de estudos, discussões, proposições, enccaminhamentos (Fórum dos Direitos da Criança e do Adolescente/Fórum DCA., Grupo de Monitoramento do Plano Municipal de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Rede Maranhense de Justiça Juvenil, Selo UNICEF Município Aprovado, etc.), acompanhava e cobrava soluções para vários de Crianças, Adolescentes e suas famílias, vivendo situações de violações de Direitos (convivência familiar e comunitária, medidas socioeducativas, drogadição e tráfico, criminalidade, situações de rua...)... 

“Espantava” muita gente, era um padre que trabalhava e marcava presença em “territórios pesados”, como o “Casqueiro, o Entroncamento, a Prainha do Jacu, a Bueira...”, domínios de exploração sexual de adolescentes e prostituição, drogas, tráfico, banditismo, violência... 

Praticamente implantou e deu vida à “Pastoral Carcerária”, e “esperneou” como pode na questão de uma política antidrogas, que sobretudo dê assistência digna a usuários/as e suas famílias. 

O pessoal dos assentamentos, da zona rural, tinham um respeito e uma confiança muito grande no Padre Pedro Carlos, e não me esqueço que me confiou/cobrou uma missão, que me custou alguns dias: “... tem que fazer alguma coisa de concreto pelo povo da roça, ele não pode ser esquecido, é preciso levar paz...”. e paz, no caso, foi feita... 


Muito simples e humilde, Padre Pedro Carlos chegou a dizer “ ... sou teu ajudante...”, quando na verdade ele é que me animava e estimulava, fortalecia, já andava “esmorecido”... 
 
Se alguém desanimava, ou queixava, confesso eu muitas vezes, lá vinha o sermão de Padre Pedro Carlos: “... que é isso, tem solução para tudo, não pode deixar, não...”. Uma família, em especial, desmoronada e destruída pelas drogas, prostituição, exploração sexual, “pequena criminalidade”, levantava essa argumentação, inflamava sua defesa veemente e a esperança apaixonada... 
 
A impunidade, a morosidade da justiça, a ineficácia das políticas sociais públicas; a miséria, a fome, as condições subhumanas de existência de boa parte do povo açailandense deixavam Padre Pedro Carlos “por conta”: “... como pode isso, não é direito, não é justo...!”. 

Na partida, foi mais “Padre Pedro Carlos” que nunca: “...olha, lá da Itália vou continuar cobrando... esses problemas tem que procurar resolver...”. 
 
Padre Pedro Carlos está fazendo e vai fazer muita falta!

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