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quinta-feira, 23 de maio de 2013

A Paz e a Presença da Igreja no Espaço Público

Por: Caio Falcão

Nunca duvidei da importância que a Igreja tem para a sociedade, principalmente a sociedade moderna. Assim, não duvido também, do valor que a Igreja estabelece dentro do espaço público. 




Todavia, falar de Paz como um paradigma missionário que sustenta a presença da Igreja no Espaço Público é inevitável. Por sua vez, estes apontamentos expressão uma preocupação necessária referente à contribuição da Igreja junto à sociedade.

O que é a Paz?
Sem a menor sombra de dúvida, a noção de Paz dentro da espiritualidade brasileira, esta além do ideal. Pensa-se em paz, (shalom), apenas como um comprimento de saudação judaica, muito utilizada nos círculos eclesiásticos pentecostais e neopentecostais. Mas, qual o papel da Igreja no papel da Paz? O valor atribuído a ela é o da evangelização, é a notícia boa da paz. Interessante que ela, a Paz, não é somente o que os gregos denominam de eirene, a paz do coração, ela é Shalom. É maior. É saída de mim, de nós, da Igreja, para o mundo.

Preocupa-me a manifestação da paz que não alcança a sociedade. Episódios como o de incêndio da dentista paulista, como a violência sexual de uma senhora com sessenta anos de idade, e tantos outros, evidenciam uma sociedade sem paz, e sem a atuação forte e significativa da igreja. Então, já que somos os portadores da paz (Shalom), para aonde esta tem direcionado o mundo. Outros já despercebidos da importância da Paz, sequer são capazes de pensá-la, e já agem espontaneamente, por uma espiritualidade carregada de frieza, sem sentido e até mesmo, mórbida.

Pensando nas relações sociais da Igreja, da presença da paz junto ao espaço público, envergonho-me da situação que se apresenta a espiritualidade brasileira.

A Paz e a Boa Teologia
Mas quais são as especificidades matriciais da paz e da boa teologia? Com certeza a paz associada à boa reflexão teológica, alimenta a vida e a missão das comunidades de base. Ela é o condutor que sustenta a ação pastoral, que a nutre pela dependência da sola scriptura. Desta forma, o paradigma da Paz é a Bíblia, que se propõe adequadamente e com consistência a uma teologia que trate das complexidades de vida. O foco recai sob a dimensão do cotidiano, sob a ação da paz sobre uma sociedade em rupturas, pluralista, individualista.

A Paz e a Justiça
A paz e a justiça se associam na proporcionalidade de que se entende a justiça como a realidade cósmica de ordenação do mundo. Para os judeus, a sedakah, justiça é o mundo em ordem, ordenado em justiça. A sedakah, com justiça que é promotora de paz. Assim sendo, para que alcancemos a Paz (shalom) é necessário à prática de justiça. Para o paradigma missionário da Igreja, a (shalom) é a grande meta.

Shalom é totalidade, integridade, harmonia, inteireza.

Para Jorge Pixley, ´´a paz não é ausência de guerra, mas, a referência ao círculo social de ideais sobre o bem-estar-social``.

Qual o entendimento de Paz Pública e Paz Privada?
Assim, para pensarmos a paz e a presença da igreja no espaço público, devemos resgatar a sensibilidade da Igreja em relação à sociedade. A Paz de Deus (shalom) se pressupõem em fomento à harmonia, prosperidade, plenitude de vida, realização pessoal, que contraria em todas as instâncias a espiritualidade vigente no Brasil, vista e percebida na intolerância, na corrupção clerical.

Contudo, o paradigma missionário do Shalom para o século XXI, desafia a realidade brasileira. Ao passo que o bem-estar-social inclui o bem-estar-individual. O mais importante é o bem-estar do cotidiano.

Shalom é o resultado da justiça.
Vejam que a obra de justiça manterá a tranquilidade para todo o sempre. O profeta Isaías 32.16-18, já transcrevia tais verdades: ´´[...] A justiça habitará no deserto, e a retidão viverá no campo fértil. O fruto da justiça será a paz; o resultado da justiça será tranquilidade e confiança para sempre, o meu povo viverá em locais pacíficos, em casas seguras, em tranquilos lugares de descanso[...]``.

Entendo assim, que a Igreja é um instrumento de Deus para a paz, para pratica da justiça. Ela é knierim, ´´paz em abundância de todas as coisas para todos os seres humanos``. Assim sendo, nossa paz privatizada (eirene) vem de nossa paz pública (shalom). O pressuposto é que ela se torna uma motivação a mais para os cristãos se inserirem no espaço público. Nós, enquanto elos de estabelecimento do paradigma da paz, devemos ser testemunhas da shalom no espaço público. Assim, desta forma, lutaremos pela reinvenção da esfera pública no paradigma da Paz, com um envolvimento sadio e transformador da sociedade. Logo, o referencial para a paz é a cidade, que se leva na pluralidade, na inconsistência da governabilidade, das estatísticas oriundas das políticas públicas fadadas ao fracasso.

Não dúvido que a coexistência humana entre a Paz de Deus e o Espaço Público, incorpora o ser humano e a humanidade, nos paradigmas da shalom.

A shalom acontece essencialmente nas relações humanas. Ela é para o outro. É na verdade, o outro sendo diferente de mim. Como Leonardo Boff registra em sua teologia, é ´´ser-para-os-outros``.

Portanto, que o Santo Espírito de Deus, seja nosso sábio conselheiro e nos ajude nesta gloriosa e honrosa dádiva: a de promovermos a shalom de Deus.




Por: Caio Falcão
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Teólogo, Historiador. Professor. Graduando em Pedagogia pela UFMA- MA. cfmarcelino@gmail.com 

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